sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ensina-nos a orar!

ESSE DEVOCIONAL FOI ESCRITO PARA OS PROJETISTAS DA JUVEP DE JANEIRO DE 2011 POR REILNALDO BUI,  E ESTAR  NO BLOG  www.todahelohim.blogspot.com

DE UMA FEITA, ESTAVA JESUS ORANDO EM CERTO LUGAR; QUANDO TERMINOU, UM DOS SEUS DISCÍPULOS LHE PEDIU: SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR COMO TAMBÉM JOÃO ENSINOU AOS SEUS DISCÍPULOS. (LEIA LUCAS 11.1-13)
 
Se pecamos por não orar, e quando oramos fazemos de forma inconveniente e com as motivações erradas, então é bem oportuno considerar o pedido que este discípulo fez a Jesus. Na sequência, Jesus cita parte da oração que ensinara no sermão do monte (conhecida como Pai Nosso) e depois algumas parábolas para estimular a fé e a constância na oração. 
 
Normalmente interpreta-se a “parábola do amigo importuno” como um estímulo para sermos insistentes com Deus até conseguir o que queremos. Esta ideia é errada, pois se baseia numa interpretação equivocada desta parábola. Para a compreendermos, precisamos entender a cultura vigente daquela época, principalmente no que diz respeito à hospitalidade: era inadmissível um vizinho recusar pão, seja o motivo que for. Além disto, o visitante era hóspede “na comunidade” e havia uma obrigação moral da comunidade em receber bem o hóspede de qualquer família. O viajante ia embora se sentindo bem recebido pela comunidade. Esta parábola ficou conhecida como a do 'Amigo Importuno' por causa da frase se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação. A palavra que foi (mal) traduzida por importunação é anaideia, que significa desaforo, impudência, falta de moral. É imprescindível entender que esta palavra não é aplicada ao pedinte, mas ao vizinho dorminhoco, caso não suprisse a necessidade do amigo numa hora destas. Jesus não está dizendo que Deus é como este vizinho e que devemos importuná-lo até Ele dar tudo o que quisermos. Parafraseando, Jesus expõe a seguinte situação: 
 
Qual dentre vós que tiver um amigo que for lhe pedir pão à meia noite (para acudir um hóspede inesperado) teria coragem de recusar? Ainda mais dando uma desculpa esfarrapada do tipo ‘meus filhos já estão dormindo’... Vocês sabem que se não for pela amizade, fará por causa da vergonha de não cumprir com uma obrigação social. Amigo ponta firme é aquele que não age com impudência (falta de pudor), que está sempre pronto para acudir uma necessidade. Deus é este amigo. Mas aí você levanta a seguinte questão: por que então nem tudo o que pedimos Ele atende? Vejo dois motivos principais. 
 
O primeiro tem a ver com a nossa obediência, compromisso e seriedade com a Sua Palavra. Lemos em Provérbios 28.9 que o que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável. O versículo é bem claro. Se você não se importa em saber a vontade de Deus sobre determinado assunto e faz as coisas da sua maneira, Ele não tem obrigação alguma de responder sua oração de socorro quando as coisas derem errado. Se você não concorda comigo, tente fazer isso. O segundo motivo tem a ver com os propósitos de Deus para nós. Na sequência, Jesus expõe outra situação fazendo o mesmo tipo de pergunta: 
 
Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? 
 
A resposta é obvia. Note que o filho está pedindo para o pai um pão, um peixe ou um ovo, isto é, gêneros de primeira necessidade (assim como o amigo), para saciar sua fome. Se o filho faminto pedisse uma caixa de bombom para saciar sua fome, muito provavelmente o pai não lhe atenderia ao pedido, por mais que insistisse, pois o pai sabe qual é a real necessidade da criança e o que é preciso para supri-la. Para um infante, o bombom é mais gostoso que uma sopa de legumes, mas um adulto sabe que não tem os nutrientes necessários para seu crescimento saudável. Para os imaturos, Deus pode parecer ruim não dando o que ele tanto quer, mas quando crescemos, entendemos que o Pai tem o melhor reservado para nós, porque nos ama. Há aquelas crianças que esperneiam até conseguir. Talvez esta seja a turminha do “eu determino”. Tudo bem, você pode até conseguir, mas sofrerá as consequências de uma saúde deficiente mais tarde.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Valores cristãos não podem salvar ninguém

Todah Elohim: Valores cristãos não podem salvar ninguém: Por Albert Mohler Jr. Uma recente carta à colunista Carolyn Hax do Washington Post¹ parece ser sincera o suficiente: “Eu sou uma dona d...

Uma comunidade triste e de celebração

Todah Elohim: Uma comunidade triste e de celebração: Por Paul Tripp Recebido por e-mail: "Wednesday's Word" (15/05/2013) A tradução foi praticamente feita no Google Translator ...

Deus me livre!


ESSE DEVOCIONAL FOI ESCRITO PARA OS PROJETISTAS DA JUVEP DE JANEIRO DE 2011 POR REILNALDO BUI,  E ESTAR  NO BLOG  www.todahelohim.blogspot.com


POR CAUSA DISTO, TRÊS VEZES PEDI AO SENHOR QUE O AFASTASSE DE MIM (LEIA II CORÍNTIOS 12.7-10). 
 
Todos nós temos necessidades e desejamos que elas sejam supridas. Algumas destas necessidades são essenciais para a nossa vida, outras nem tanto. Muitas vezes damos mais atenção para estas e não nos preocupamos tanto com aquelas, a menos que estejamos passando por uma profunda crise, a ponto de não termos, sequer, o que comer. Acredito que (no momento) não é este o nosso caso. Mesmo assim, esperamos que Deus satisfaça TODAS as nossas necessidades. 

Mas será que Ele realmente está comprometido em atendê-las? TODAS? Pense um pouco.
Em Mateus 6.33 Jesus ensina que devemos buscar em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Note que Deus não está assinando um cheque em branco aqui. Se analisarmos o contexto desta passagem, Jesus vem discursando sobre não ser como os gentios, cuja vida está centrada nas inquietações cotidianas, ou seja, ganhar dinheiro para suprir suas necessidades. Ah, é imprescindível, também, que gozemos de boa saúde para poder trabalhar e viver bem... Não se preocupe! Deus sabe. Ou cremos que Ele é onisciente ou não. 
 
Conforme vimos, quando alguém em nosso meio padece de alguma doença física, levantamos clamores a todo pulmão, mas quando algum irmão passa por alguma “crise espiritual” damos pouca ou nenhuma importância... Devemos, sim, estar muito mais atentos a estas coisas, sem nos preocupar com aquelas! 
 
Mas o que tem acontecido em nosso meio hoje em dia, que nos leva a preocuparmos tanto com as coisas deste mundo (entenda, as coisas que dizem respeito à nossa existência na terra)? 
 
Em outro lugar Jesus alerta: Neste mundo passareis por aflições... Com aflições devemos subentender doenças, acidentes, desemprego, e diversas outras situações que denominamos de “mal”. Nós, seres humanos, gostamos de ter controle sobre todas as situações de nossa vida e acabamos “utilizando” Deus para que, através de nossas orações, Ele possa cuidar destas aflições – que são as áreas que não temos controle. Quando o mal subitamente acontece em nossas vidas, imediatamente começamos a racionalizar para encontrar um culpado. Ora, quem pode ser, senão o diabo, o inimigo de nossas almas? Então travamos uma luta em oração, uma verdadeira batalha épica espiritual, para que Deus mande as hostes celestiais combaterem contra as malignas, e aguardamos “ansiosamente” o grande vencedor desta guerra: se Deus, meu conforto e bem estar estarão garantidos; mas se o diabo ganhar... 
 
Será que é assim que acontece? Parece ser este o pensamento vigente para alguns cristãos, mas não estou bem certo que esta seja a realidade no mundo espiritual. 
 
Primeiramente, não se trata de encontrarmos um “culpado” por tudo aquilo que acontece com a gente, e que chamamos de mal. Há sim, fatores que fogem ao nosso controle e que podem ser usados por Deus para o nosso aperfeiçoamento. A isto a Bíblia chama de provação. Além disso, Deus pode utilizar circunstâncias naturais (doenças, acidentes) ou até mesmo um “mensageiro de Satanás” para provar ou depurar a nossa fé (Tiago 1.2-4). Assim aconteceu com Jó, assim aconteceu com Paulo. Ambos passaram por provações, oraram e Deus ouviu suas orações; mas os resultados foram bem diferentes: para Jó, depois de ensiná-lo tudo o quanto queria, Deus restituiu-lhe em dobro os seus bens. Mas para Paulo, após este ter insistido em oração (note que o apóstolo pediu três vezes) a resposta final foi: A minha graça te basta!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Não sabemos orar

ESSE DEVOCIONAL FOI ESCRITO PARA OS PROJETISTAS DA JUVEP DE JANEIRO DE 2011 POR REILNALDO BUI,  E ESTAR  NO BLOG  www.todahelohim.blogspot.com

TAMBÉM O ESPÍRITO, SEMELHANTEMENTE, NOS ASSISTE EM NOSSA FRAQUEZA; PORQUE NÃO SABEMOS ORAR COMO CONVÉM, MAS O MESMO ESPÍRITO INTERCEDE POR NÓS SOBREMANEIRA, COM GEMIDOS INEXPRIMÍVEIS (ROMANOS 8.26).



Somos egoístas por natureza. Alguém discorda? 
 
Baseado nesta premissa é natural que alguns de nossos pedidos sejam igualmente egoístas, centrados em nós ou – quando muito, direcionados ao bem estar de nossos próximos mais queridos. É notório que a maioria esmagadora de pedidos de oração nas igrejas são referentes à saúde. E saúde física, não espiritual (esta está lá no finalzinho nas pesquisas). Principalmente em caso de intervenção cirúrgica – e detalhe, quanto mais nova for a pessoa, maior mobilização há na igreja em prol da equipe médica. Em segundo lugar vem emprego (subentende-se sustento). 
Não importa a classe social, Deus sempre é importunado para nos conseguir uma vaguinha melhor, para ganhar mais e de preferência com um patrão melhor ou sem ele. Em final de ano, os pedidos por uma vaga na faculdade aumentam substancialmente e, em grandes centros urbanos, Deus é constantemente solicitado para fazer a segurança do nosso patrimônio e nossa escolta na rua. 
 
Entre as solteiras, Ele é o agente matrimonial, e entre os casados um grande ombudsman. Será que é assim que enxergamos a Deus, uma espécie de gênio da lâmpada? É para isto que Ele serve? Para satisfazer nossas necessidades e cuidar do nosso bem estar?
É oportuno lembrar que, inspirado pelo próprio Espírito Santo, Tiago já alertara em sua epístola (muito antes de nós nascermos) que pedimos e não recebemos porque pedimos mal, apenas para satisfazer nossos desejos ou esbanjarmos em nossos prazeres! (Tiago 4.1-4) Penso que ele sabia o que estava escrevendo. Pouco antes, Tiago exortara a pedirmos por sabedoria, e pedir com fé! Isto significa que nosso pedido deve estar centrado em Deus e não em nossas lamúrias e misérias. Fé para aceitar as coisas do alto e sabedoria para compreendê-las.
 
Pedidos por crescimento na fé, saúde espiritual da igreja e conversões estão ficando cada vez mais raros. Dificilmente você verá alguém levantar-se no momento dos pedidos de oração na igreja e pedir por sabedoria. Ou por fé. Por acaso, você já ouviu alguma pessoa pedir que Deus aumente cada dia mais sua capacidade de amar ao próximo (sem pensar em si mesmo)? Ou que o Senhor a faça pensar cada vez mais nas coisas do alto e desprender-se das coisas daqui da terra? E você, já experimentou orar neste sentido?

Jesus vai um pouco mais além. 
Logo na primeira menção que Ele faz sobre oração no NT, Jesus simplesmente chuta o pau da nossa barraquinha e diz:
Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem... (Mateus 5:44)
   
E Lucas relata em outra passagem, as palavras do nosso Senhor: 
  ....bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. (Lucas 6:28) 
 
Aí você pergunta: "O quê? O Senhor não sabe que aquele infeliz é a razão de eu ter perdido o emprego e também minha saúde? Pela ruína da minha família? O Senhor quer que eu ore por aquele miserável que quer me prejudicar? Por aqueles que inventaram mentiras e espalham fofocas a meu respeito? Devo amá-los e bendizê-los apesar de tudo o que fizeram comigo?"
E Deus responde: "Sim."

O pecado de não orar


Olá queridos, gostaria de compartilhar com vocês um devocional que tem feito toda diferença na minha vida! Fala da importância de nós orarmos. Que o Senhor possa ministrar ao seu coração através desse devocional.
ESSE DEVOCIONAL FOI ESCRITO PARA OS PROJETISTAS DA JUVEP DE JANEIRO DE 2011 POR REILNALDO BUI,  E ESTAR TAMBÉM NO BLOG  www.todahelohim.blogspot.com

1. O pecado de não orar
Baseado num livro do Dr. John R. Rice
E QUANTO A MIM, LONGE DE MIM QUE EU PEQUE CONTRA O SENHOR, DEIXANDO DE ORAR POR VÓS... (1SAMUEL 12:23) 
 
O nosso maior pecado é não orar. Todos os fracassos que nos sobrevêm são por não orarmos. A falta de almas salvas no meu ministério é, principalmente, devido à ausência de oração. A escassez de alegria no meu coração é, às vezes, o fruto de não orar. Indecisão, falta de sabedoria e de direção, são causados por não orar. Quantas vezes tenho errado, tenho faltado com os meus deveres, e tem me faltado poder e alegria, tudo isso por causa do pecado de não orar. Não orar é pecado, porque a Bíblia diz isso de maneira clara. Paulo estimula os crentes de Tessalônica: Orem sem cessar! (I Ts 5.17). 
 
Quando deixamos de orar abrimos a porta a todos os demais pecados. Vemos isto claramente nas palavras de Jesus em Marcos 14.38: 
 
Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
Lembremos ainda dos pais da igreja, de como eles oravam! Os que agradaram mais a Deus foram aqueles que oravam contínua e insistentemente, até obter a vitória. Com certeza pecamos quando não os imitamos. Assim como a prática da oração demonstra nossa dependência de Deus, o não orar mostra a falta de gozo em Deus, incredulidade e fraqueza de nossa parte. 
 
Há uma tendência natural em nossa carne a não orar. Muitas vezes limitamos nossa vida de oração a poucos segundos antes das refeições, ao despertar e ao deitar-se à noite... Isto quando lembramos! Precisamos a todo custo vencer a tentação de permanecer nesta letargia espiritual. 

Dr. Rice propõe os seguintes passos: 
 1. Procure dedicar um pouco de tempo, ainda bem cedo, todos os dias, para orar e meditar na Palavra de Deus. Quanto mais cedo melhor. Um bom horário pela manhã seria antes de comer. Um grande missionário tinha o seguinte lema: Sem Bíblia, sem café da manhã. 
 
2. Crie o hábito de orar até alcançar paz com relação ao problema ou a dificuldade que esteja passando. Frequentemente não obtemos resposta a uma oração em um mesmo dia.
 
3. É preciso separar tempo para orar sobre os problemas que nos sobrevêm. 
 
4. Deixe de formalidade e permita que a oração seja uma conversa simples com Deus. Cada crente deveria dizer, muitas vezes por dia: "Senhor, pequei nisso... me perdoe"; ou "Senhor, me ajude a saber o que dizer a esta pessoa!" Ou ainda: "Senhor ajuda-me na solução dessa dificuldade." Faça da oração um detalhe importante da sua vida, junto com os demais.
 
5. Procure seguir os exemplos da Bíblia e seus ensinos sobre a oração. Leia, por exemplo, o salmo 55 e veja que em sua angústia Davi buscava o SENHOR: Eu, porém, clamo a Deus e o Senhor me salvará. À tarde, pela manhã, e ao meio dia choro angustiado, e Ele ouve a minha voz. (Salmo 55.16-17)

Procuremos penetrar todas as riquezas da oração encontradas na Bíblia. Dediquemos tanto tempo à oração como estes homens a que Deus usou. Choremos tanto como eles choraram. Persistamos tanto quanto eles persistiram. Façamos da oração meta da nossa vida. O maior gozo. A atividade sempre inacabada. Você está disposto, neste exato momento, a confessar a Deus o seu pecado de não orar?


quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Oração Agonizante, Jerry Bridges


Isaías escreveu profeticamente sobre Jesus como um “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53:3). Apesar de essas palavras serem descritivas sobre Sua vida inteira, vemo-las chegarem ao clímax no jardim do Getsêmani onde Jesus orou: “Meu Pai, se possível, passe de mim esse cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26:39). Lucas nos conta que Jesus estava em tal agonia enquanto orava, pois “aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22:44).
O que foi que causou tal agonia em Jesus?  Por que Ele orou para que, se possível, se passasse Dele aquele cálice (Jo 18:11)? O que estava no cálice que era tão angustiante para Jesus ao contemplar o que beberia? Naturalmente associamos o cálice de Jesus com a crucificação e assumimos que Ele estava orando para que Ele fosse poupado da miserável e degradante morte na cruz. O cálice estava de fato conectado a crucificação, mas ainda não respondemos a questão: O que estava no cálice?
Em ambos o Antigo e o Novo Testamentos, o cálice é freqüentemente usado como metáfora para a ira de Deus (Sl 75:8; Is 51:17,22; Jr 25:15; Hb 2:16; Ap 14:9–10). Então o cálice que Jesus achou tão detestável para beber estava cheia com a ira de Deus. No jardim do Getsêmani, Jesus fitava atentamente dentro do cálice — aquele que Ele beberia durante o dia seguinte ao ser pendurado na cruz em agonia excruciante.
Mas não era a agonia física que causou tanto medo em Jesus, por mais terrível que aquilo fosse; ao invés, foi a agonia espiritual que Ele anteviu que Ele beberia até o último sedimento do cálice da ira de Deus, a ira que na verdade nós merecíamos. Isso nos traz a um assunto difícil na Bíblia, uma que é negada por muitos estudiosos da Bíblia e ignorada por muitos de nós. Simplesmente não gostamos de pensar sobre a ira de Deus. Por quê?
Talvez nós recuamos da expressão “a ira de Deus” por causa da emoções violentas e do comportamento destrutivo que é freqüentemente associado com o termo ira quando usado por seres humanos pecadores. Mais provável, não queremos pensar sobre os nossos amáveis, amigáveis, mas descrentes vizinhos e parentes como sujeitos à ira de Deus.
Se tomarmos a Bíblia seriamente, entretanto, devemos considerar seriamente o alvo da ira de Deus. Esse é um tema que ocorre durante ambos o Antigo e Novo Testamento. Certo teólogo declarou que o número de referências a ira de Deus no Antigo Testamento excede 580. Mas e o Novo Testamento? Algumas pessoas ensinam que o alvo da ira de Deus desaparece no Novo Testamento e que Seu amor e misericórdia se tornam a única expressão da atitude Divina ante a humanidade.
Jesus claramente refuta essa idéia. Em João 3:36 Ele diz: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” Paulo escreveu com freqüência sobre a ira de Deus (por exemplo, Rm 1:18; 2:5; 5:9; Ef 2:3; Cl 3:6). Finalmente, todo o conteúdo de Apocalipse nos adverte da ira vindoura (Ap 6:16–17; 14:10; 16:19; 19:15).
O que é isso que provoca a ira de Deus? É o nosso pecado. Independentemente do quão pequeno e insignificante isso possa nos parecer, todo pecado é uma agressão à infinita majestade e soberana autoridade de Deus. Deus, pela perfeição de Sua natureza moral, não pode deixar de ser hostil ao pecado – todo pecado, mesmo sendo tão pequeno aos nossos olhos. Foi a ira de Deus contra nosso pecado que Jesus viu no cálice naquela noite e da qual Ele nos reconciliou em tal agonia.
Então Jesus bebeu do cálice da ira de Deus em nosso lugar. Ele suportou a imaginável agonia espiritual que merecíamos para que fôssemos salvos por Ele da ira de Deus. Nós nunca apreciaremos a oração agonizante de Jesus no Getsêmani; nunca apreciaremos Seu suor, do modo como eram, grandes gotas de sangue caindo na terra, antes de compreendermos do fundo de nosso ser que o que Jesus estava contemplando a ira de Deus que merecíamos.
O termo teológico ao ato de Jesus beber o cálice é propiciação. Um dicionário moderno dirá que propiciar significa “apaziguar” ou “aplacar.” Eu acho essas definições insatisfatórias quando aplicadas a Cristo porque sugerem suavizar ou abrandar a ira de uma divindade ofendida. Jesus não suavizou a ira de Deus – Ele a suportou. Ele não a suprime ou a extingue  como nós extinguimos um fogo; pelo contrário, Ele absorve em Sua própria alma toda a fúria de Deus contra o pecado. Para continuar com a metáfora, Ele bebeu o cálice da ira de Deus até a última gota amarga. Então para nós que cremos, o cálice da ira de Deus está vazia.
Nós lemos a história do Getsêmani e da crucificação com tanta freqüência que ela tem a tendência de se tornar trivial. Se isso é verdade para nós, que nos arrependamos. E que nunca mais leiamos a angustiante oração de Jesus sem nos lembrar que era a ira de Deus contra nosso pecado que causou Nele tal inimaginável agonia.
Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Eric Lima